Três palavras

Amar é muito simples, quem complica o processo somos nós.

by 

Robson chegou em casa muito cansado. Trabalhou o dia inteiro, justamente na véspera do seu aniversário de 33 anos. Naquele dia, na universidade, ele foi escalado para aplicar as provas que avaliaria o desempenho da instituição e se estava apta para liberar novos cursos.

Ao abrir a porta de casa, Robson encontrou o seu marido, Anderson, juntamente com o filho recem-adotado, Francisco, de apenas 4 anos. O pequeno estava usando chapéu de aniversário e, junto com o outro pai, seguravam um bolo com 33 pequenas velas.

As lágrimas caíram, claro. Robson se fazia de durão, mas qualquer gesto de amor o derrubava por completo. Logo todos partiram para um abraço coletivo, bateram parabéns, comeram o delicioso bolo e foram assistir a um filme.

No dia seguinte, um domingo de muita ventania, solzão e calor, a família resolveu ir à orla de Porto Alegre para curtir o por do sol, andar de bicicleta e sair um pouco de dentro do apartamento. Ao chegarem às bordas do Rio Guaíba, todos se sentaram, formando um círculo.

Ainda emocionado com a surpresa do dia anterior, Robson pegou a mão do seu companheiro e disse “eu te amo”, sussurrando as palavras de forma lenta. Muito esperto e atento a tudo, o pequeno Francisco disse:

— Papai, Robinho! Aplendi uma coisa nova, sabia? — Francisco abriu um sorriso que demostrava muita empolgação com o que estava prestes a ser dito.

— Sério, meu filho? — Robson olhou apreensivo para Anderson. — E o que foi mesmo, guri?

— Papai Derson me explicou o que é amor e agola eu entendo o que vocês conversam — disse o pequeno, dessa vez mexendo as pernas sem parar, muito feliz com a revelação.

Robson corou e voltou o seu olhar para Anderson, que logo virou para a direção de Francisco, dizendo:

— Bah!!! Não era pra falar nada! Desse jeito o Robson não vai te achar esperto, principalmente porque a ideia de colocarmos as 33 velas no bolo foi sua. — Anderson gargalhou mais alto do que o normal.

— Como assim? A de ideia foi sua??? — disse Robson, arregalando os olhos para o filho.

— Foi, papai! O senhor gotou, né?

— Muito, meu filho. Amei a surpresa de vocês!

— Que bom, papai Robinho. Foi a forma de mostlarmos que o amamos…

E lá estava Robson, mais uma vez segurando as lágrimas, tentando se mostrar forte e insensível. Mas a verdade é que, para o amor, a gente não precisa de barreiras, fingir forçar ou inventar rodeios.

Amar é muito simples, quem complica o processo somos nós.

No caso de Robson, ele cresceu em um ambiente em que não se falava de sentimentos. Apesar de os familiares fazerem de tudo uns pelos outros, ainda ficava aquele medo de dizerem em alto e bom som que se amavam. Acredite, ouvir aquelas três palavrinhas fazem um bem danado.

“Eu te amo”, foi o que Anderson disse antes de abraçar o marido ao vê-lo se desabar em lágrimas.

E você? Já disse a alguém, hoje, que a ama?

8 comments

  1. Oi, Adri! 🙂
    Amei o conto. Acho que o amor floresce nessas pequenas conversas, nos pequenos atos. É bom poder com atitudes tão graciosas como a da sua narrativa.
    Deu um quentinho no meu coração aqui.
    Que muitos casais possam viver momentos como esse! 🙂

    Um beijo carinhoso,

  2. Oi Adriel,
    Amei o conto, super simples, mas com um grande ensinamento.
    Minha família não é muito de dizer “eu te amo”, assim como a do meu marido, então quando nos casamos decidimos que falar é tão importante quanto demonstrar. Dizer “eu te amo” faz parte da nossa rotina, assim como “desculpas”, que é uma palavra difícil de se dizer.
    Um abraço virtual, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

    1. nossa, sim! eu tenho dificuldades em pedir desculpas. é algo que preciso trabalhar com urgência. acho que tbm parte um pouco da criação, né?! na minha família a gnt não tinha muito esses ensinamentos. 🙁

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.