Talvez eu seja só um escrevinhador

Quando reflito sobre o momento inicial da minha escrita, vou parar lá nos 3 anos de idade. Tenho poucas lembranças da época, mas é bem…

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Quando reflito sobre o momento inicial da minha escrita, vou parar lá nos 3 anos de idade. Tenho poucas lembranças da época, mas é bem clara a imagem do pequeno Adriel segurando um livro velho, com vários lápis de cores pra rabiscar as páginas, crendo que estava escrevendo algo.

Já aos 3 anos, minha mãe me colocou na Creche Regina Siqueira Campos pra cursar o Jardim I. A professora passava desenhos, atividades e ensinava o A, E, I, O, U. Obviamente, quando chegava em casa, ia colocar tudo em prática. Os livros das minhas tias eram os escolhidos. Confesso que eu tinha curiosidade pra saber o que aquele monte de letras queriam dizer, e talvez seja por isso que adoro pegar qualquer livro que aparecer na minha frente pra ler a sinopse.

Continue rabiscando livros até que fui pro primário. Na Escola Municipal Aurélio Buarque de Holanda, o pessoal do SESI sempre nos dava kits com histórias em quadrinho do Seninha. Eu adorava ler as histórias e responder aos desafios. Foi aí que a leitura me pegou de vez!

Aos 10 anos fui estudar na Escola Estadual Marechal Rondon. A instituição era imensa, tinha dezenas de salas e uma biblioteca enorme. No intervalo, meus colegas iam brincar de pega-pega e eu… Corria pra biblioteca pra pegar livro emprestado. No início era histórias em quadrinho, mas logo conheci um universo repleto de livros infanto-juvenis e me viciei.

Paula Pimenta, uma das minhas escritoras brasileiras preferida.

Toda semana pegava de 1 a 2 livros emprestados. Como sou filho único e não tinha vizinhos da minha idade, o que me restava era ler. E eu lia. Passava o tempo inteiro na companhia de histórias incríveis, escritas por gente que tenho uma profunda admiração.

Foi no ensino fundamental que comecei a escrever e criar algumas coisas. Textos ruins, com pontuação horrível, mas que me permitiram explorar a criatividade. No Centro de Ensino Médio Benjamim, outra escola estadual, resolvi criar esse blog que escrevo desde 2011. A ideia era redigir artigos de opiniões pra melhorar a escrita e me manter atualizado pra fazer uma boa redação, no vestibular. Porém…

Em meio aos blogs que ia lendo, fui descobrindo as crônicas, contos, textos melosos e um ambiente repleto de coisas novas. Entendi que artigo de opinião ficariam pros colunistas de revistas e portais de notícias. O que me fazia bem mesmo era escrever sobre a vida, causos do dia a dia e, claro, o amor.

Não sei quantos textos já publiquei aqui sobre relacionamentos, mas é o que me faz bem. É a melhor forma que encontrei pra me esvaziar por completo e ficar mais leve. Quando alguém se identifica com os relatos e me diz isso nos comentários, a sensação é de que não estou sozinho e tudo vai ficar. E Sempre fica.

Desde 2019 me aceitei como escritor, mas a síndrome do impostor me impede de falar em alto e bom som. Ainda acho que os contos publicados na Amazon não são bons, as minhas crônicas são mais do mesmo… Mas, fazer o quê? Eu escrevo! Há muito tempo eu coloco em palavras tudo o que vejo, sinto e penso.

Talvez eu não seja escritor. Posso ser um escrevinhador (quem escreve com má qualidade, obras sem valor)?

6 comments

  1. Achei legal a forma que foi escolhei para contar sua relação com as palavras. Todas as obras tem sim seu valor! Muitas vezes a gente acaba se sabotando por achar que nossa escrita não é boa o suficiente, mas talvez esse seja o segredo. Quando ela passa longe da perfeição, outras pessoas se sentem mais próximas de nossas palavras, uma vez que elas esbanjam sentimentos, não há uma fórmula mágica, mas é fato que quanto mais escrevemos melhor ficamos. Então não importa como vc se defina, não deixe de continuar escrevendo.

    1. ain, ane. vc disse tudo!

      eu não consigo me ver sem escrever. faz parte da minha essência colocar um pouco do que sinto nas palavras. mas há momentos em que vem uma enxurrada de questionamentos, daí gosto de parar pra refletir sobre o q me motiva a escrever. <3

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