O problema de problematizar todos os problemas do mundo

A minha visão de mundo já não é mais a mesma. Ela não mudou subitamente. É uma mudança lenta e constante. E um dia, o…

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A minha visão de mundo já não é mais a mesma. Ela não mudou subitamente. É uma mudança lenta e constante. E um dia, o que era natural é tão estranho. E o estranho faz todo o sentido. As piadas vão perdendo a graça, as conversas se tornando tão banais. As notícias repugnantes,e a futilidade do mundo tão evidente. Será que tem algo errado comigo?! Estou ficando velha e chata!…?

Deveras, que sou bem divertida e legal, sim! E se posso ser ameninada, sempre me deleito e esqueço todos os problemas, regras e burocracia do mundo adulto. Então, o problema está no mundo e com as outras pessoas?! Não! As escolhas dos outros não são da minha alçada, e não é porque a visão deles é diferente da minha que é errada.

Mas, eu vejo, eu escuto e sinto o outro e na minha inocência arrogante de querer transformar o outro acabo me tornando invasiva. “Sendo a chata do rolê”. E o que fazer quando vejo, escuto e sinto algo que me desagrada? Devo ignorar? Omitir-me? Depois de muito refletir, cheguei à conclusão de que, sim, com ressalvas em casos de racismo, machismo, ofensas e ações que prejudicam outras pessoas. E pelos direitos das crianças e qualquer ser indefeso. Porque a questão aqui não é ser chata, e sim ter o mínimo de senso e humanidade.

Entretanto, há coisas bobas que não precisam gerar um desentendimento e indisposição com meu semelhante. Eu não sou a vara da justiça com a missão de corrigir as pessoas a todo o momento. Aliás, em mim há inúmeras coisas que merecem censura. Tenho tantas falas, ações, hábitos e pensamentos reprováveis e sobre eles tenho o poder. Existe uma frase budista que diz: “O que eu reprovo no outro corrijo em mim.” E procuro internalizar isso todos os dias.

Meu maior projeto é me tornar o melhor que posso ser. É aperfeiçoar e refinar meu caráter. E aos outros só me cabe respeitar.

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